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TRE-RR promove experiência prática com urna eletrônica para pessoas com deficiência visual

Projeto Toque de Democracia permite conhecer e testar recursos de acessibilidade da urna antes das Eleições 2026

Projeto Toque de Democracia

Como uma pessoa com deficiência visual utiliza a urna eletrônica? Para permitir que esse público conheça os recursos disponíveis e tenha contato com o equipamento antes das Eleições 2026, uma equipe de técnicos do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) realizou, nesta quinta-feira, dia 1º, o projeto “Toque de Democracia: Autonomia e acessibilidade para exercer o seu voto”.

A atividade ocorreu no Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP-DV/RR), em Boa Vista, e reuniu usuários da instituição e equipes do TRE-RR. Os participantes puderam conhecer os mecanismos de acessibilidade da urna, tirar dúvidas e realizar uma simulação de votação em ambiente orientado.

A proposta é oferecer às pessoas cegas ou com baixa visão a oportunidade de experimentar os recursos antes de chegar à seção eleitoral, aumentando a familiaridade com a urna e contribuindo para um voto com maior autonomia e segurança.

Durante a atividade, os participantes utilizaram urnas eletrônicas preparadas para treinamento. Entre os recursos apresentados estão o sistema de áudio, o uso de fones de ouvido, a identificação tátil do teclado e as teclas em Braille.

O presidente do TRE-RR, desembargador Mozarildo Cavalcanti, participou da ação e explicou que a iniciativa surgiu após a identificação de dificuldades enfrentadas por eleitores com deficiência visual no momento da votação.

“A ideia é exatamente essa: garantir a essas pessoas o acesso ao serviço da Justiça Eleitoral. A nossa Ouvidoria identificou que esses eleitores com essa deficiência muitas vezes deixavam de votar com temor de acabar atrasando a eleição. Então, havia essa ausência no dia da votação por esse motivo. O objetivo dessa capacitação é treiná-los para que conheçam os recursos que a urna eletrônica tem para facilitar o seu voto, como teclas em Braille e fones de ouvido, que realmente facilitam na hora da votação. São recursos já disponíveis, e a nossa ideia é treiná-los antes mesmo, para que já os conheçam antes de chegar à cabine de votação”, disse.

Além da demonstração, a programação abriu espaço para que os participantes relatassem suas experiências, dúvidas e dificuldades. Segundo o presidente, essa escuta também pode contribuir para aperfeiçoar os serviços oferecidos pela Justiça Eleitoral.

“Essa escuta ativa é muito importante para que a Justiça Eleitoral possa prestar serviços realmente úteis à população, especialmente aos grupos mais vulneráveis. Então, nós temos as Ouvidorias da Justiça Eleitoral espalhadas pelo estado, em comunidades indígenas e comunidades ribeirinhas, e, com isso, podemos identificar quais são os serviços realmente necessários. Nesse caso, esse treinamento é resultado de uma escuta prévia e, no próprio treinamento, nós também estamos escutando quais são as reivindicações, quais são os problemas que eles têm, para que possamos nos aperfeiçoar ainda mais”, afirmou.

Para Luany Stefany da Silva Castro, participante da atividade, ter acesso a iniciativas voltadas à acessibilidade também representa inclusão nas diferentes experiências da vida em sociedade. “Eu achei incrível. Eu sempre procurei muitas coisas de acessibilidade, né? Eu sempre fico muito animada quando se trata de uma novidade”, comentou.  “E quanto mais a gente é incluído nessas atividades, isso me faz sentir bem. Dá até ânimo para a gente continuar seguindo persistente na vida”, disse.

João Carlos Yard também participou da experiência e destacou a possibilidade de utilizar os recursos da urna com maior independência. “Isso só vem a melhorar a nossa acessibilidade, a nossa inclusão, fazendo com que a gente consiga votar de forma até sozinho, pelo recurso da audiodescrição e do Braille no teclado", comemorou.

Projeto nasceu da escuta dos eleitores
A assessora de Planejamento do TRE-RR, Lorrane Costa, explicou que o Toque de Democracia foi estruturado para ter continuidade nos anos eleitorais, com atividades teóricas e práticas.

“Esse projeto foi escrito para que ele seja realizado de forma permanente. A cada ano eleitoral, haverá esse treinamento e uma educação eleitoral inclusiva para que eles possam passar por essa simulação de votação. Então, é, sim, um projeto permanente”, frisou.

Segundo Lorrane, a proposta nasceu a partir de relatos dos próprios eleitores com deficiência visual sobre situações vivenciadas durante eleições anteriores. “Esse projeto surgiu da própria escuta deles e chegou ao projeto por meio dos servidores da Ouvidoria e da Secretaria Judiciária, quando eles se queixaram de que, por causa de situações ocorridas em eleições anteriores, em que passaram por constrangimento na fila, com pessoas reclamando: ‘Ainda demora?’, eles passaram a não participar das eleições. Então, com isso, fizemos esse projeto para que eles tenham familiaridade, possam ter esse contato direto com a urna, tocá-la, ver quais são as acessibilidades incluídas nela, inclusive as voltadas para a deficiência visual, como a audiodescrição por meio do fone de ouvido, um teclado com identificação tátil para que eles se localizem naquele teclado, bem como o Braille.”

A realização da atividade no CAP-DV/RR permitiu que a demonstração ocorresse em um espaço já frequentado pelas pessoas atendidas pelo centro. A gestora do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual de Roraima, Ana Cecília Ribeiro, explicou que a necessidade de conhecer melhor as condições oferecidas aos eleitores já era discutida entre a equipe e os alunos.

“Esse momento, para a gente, é um momento único. Estamos maravilhados, estamos felizes com o acontecido, porque, no dia a dia, a gente escuta os nossos alunos, conversa e sente a necessidade de saber se todos estão aptos a votar, se todos têm acesso. E aí, diante dessa dificuldade, a gente foi percebendo essa necessidade. Entramos em contato com o TRE, que, diante de toda a demanda do momento, prontamente nos atendeu”, informou.

“Então, a gente fica muito feliz com a situação, com o momento, com o projeto. Ainda mais agora, sabendo que esse projeto foi o projeto-piloto e que ele ainda vai melhorar no decorrer dos anos”, disse a gestora.

Acessibilidade nas Eleições 2026
A urna eletrônica dispõe de mecanismos específicos para auxiliar eleitoras e eleitores com deficiência visual. O contato prévio com essas ferramentas permite conhecer o funcionamento do equipamento, identificar as teclas, compreender os comandos e experimentar os recursos de áudio antes do dia da eleição.
O projeto também busca identificar, a partir da experiência e dos relatos dos participantes, dificuldades que ainda possam existir e possibilidades de aprimoramento das ações de acessibilidade eleitoral.

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